Existem muitas coisas na vida que nos entrevam de dúvidas e temor. Seria muito prepotente da parte deste autor querer saber ou listar todas aquelas existentes por este mundo aí fora, mas pelo dilema que nesses últimos tempos paira sobre a mente deste que vos fala, ao menos eis que há que se tentar proferir palavras de conforto, não só para as almas dos leitores, mas para a salvação da alma do próprio autor. Ando assistindo a muita televisão. E vejo fatos, em maioria oriundos da mais pura ficção da mente humana, mas que mesmo assim não são completamente desprovidos de sentido e despojo, pois são eles nada mais do que produtos da fantástica capacidade intelectual do homem, que as adapta de situações da vida real, logo, fazendo da ficção, a tradução da realidade vista através dos olhos humanos.
Penso que desde que me conheço por indivíduo, nunca acreditei em destino. Tudo era simplesmente uma ciranda de atos e fatos ridículos, e que, na vida deste autor, não pareciam randômicos, mas extremamente rotineiros. Nada como o tempo para se lhe pregar uma peça de tamanho poder que o coloque devidamente nos eixos, deixando claro que a palavra nunca é assaz peculiar, pois traduz um sentimento que obviamente foge do controle. O nunca surge em momentos de espontaneidade, de intensa conversa com seus sentimentos, mas que, embora seja o contrário, é dita com uma fugacidade extrema, que quando quedamos em si, vemos que nunca é um absurdo é a pior das ficções humanas, pois toma como base o pior dos sentimentos.
Ultimamente, vejo que o destino anda acreditando em mim. Não sei se para bem ou para mal. Só sei que ele acredita em mim. E isso me faz acreditar nele. E é mui engraçado como isso acontece, como o menor dos fatos faz alguns crer Nele, ou como, as vezes, é necessária uma calamidade estrondosa, daquelas como da sorte de Édipo, para revelar a verdade aos olhos e perceber como as vezes uma questão que o leitor tinha como certa e incontestável, pode, na verdade, contemplar outra possibilidade. Isso, admitamos, é incrível.
Atos vis todos praticamos, por mais inconscientemente que possamos os praticar. Mas o que torna grande o homem é a maneira pela qual ele é capaz de, por mais vil que tenha sido o ato, corrigir a situação. Penso que a capacidade de pedir perdão, desde que haja a vontade de ser perdoado, verdadeiramente, é a melhor das capacidades que uma pessoa pode desenvolver. Por mais tarde que possa ser, por pior que esteja a situação, contorna-la sinceramente enobrece o homem, haja visto que o arrependimento, por mais tardio que seja, pode salvar a alma. Errar, é pra qualquer um, ser capaz de reconhecer o erro e crescer com ele, é divino.
Para este autor, bastou o mais simples dos atos, de repente, não mais que de repente, justamente aquele que por gerações alimenta o espírito humano, para se perceber que tudo poderia ser diferente, para enxergar novas cores no arco íris. E também foi suficiente um cataclisma para que percebesse como ele por simples atos, também fez tudo se perder, fez do arco íris uma faixa cinza, fez do calor o frio, da vida a morte, do riso, o choro, do amor, a distância. Dizem ser lições de vida, para se aprender com isso e seguir em frente, deixar o passado ficar e contemplar o futuro de cabeça erguida. Pergunto-lhe agora leitor, se temos a absoluta certeza de que o seu futuro está no passado, perdoe o trocadilho, mas se o leitor considera que o futuro não será futuro sem o que está no passado, como então agir? Pode parecer-lhe ridículo e pequeno da parte deste autor, mas se tal resposta a mim fosse direcionada, de minha boca sairiam três palavras: “Vá e lute!”. Desistir sem tentar é viver sem sentir. Por isso, meu caro colega, tente, até que a última fibra de seu ser sucumba, até que o último sopro de ar saia de seus pulmões, nunca deixe de tentar, de se expor, porque isso se faz muito necessário.
De repente, não mais que de repente, o destino pode lhe surpreender. Afinal, embora briguemos com o “nunca”, o “para sempre” pode ser muito mais real e avassalador.
10 anos de Matrix
11 meses atrás
